Relatório WMO soa alarme sobre aquecimento global

Nações Unidas, 28 mar (Xinhua) -- O aquecimento global acelerou e trouxe graves desafios socioeconômicos para o mundo, informou um relatório da Organização Meteorológica Mundial (WMO, na sigla em inglês).

A maioria dos desastres naturais em 2018, que afetou quase 62 milhões de pessoas, foi associada a eventos climáticos extremos, de acordo com a "Declaração da WMO sobre o Estado do Clima Global 2018", divulgada na sede da ONU em Nova York na quinta-feira.

Só as inundações afetaram mais de 35 milhões de pessoas em 2018, disse ele. O furacão Florença e Michael foram dois dos 14 "desastres de bilhões de dólares" em 2018 nos Estados Unidos. Estes desastres provocaram cerca de 49 bilhões de dólares americanos em danos e mais de 100 mortes.

O super tufão Mangkhut afetou mais de 2,4 milhões de pessoas e matou pelo menos 134 pessoas, principalmente nas Filipinas, disse o relatório.

Mais de 1.600 mortes foram associadas a intensas ondas de calor e incêndios na Europa, Japão e Estados Unidos. Só nos Estados Unidos, as perdas econômicas foram de 24 bilhões de dólares por causa desses desastres em 2018.

A exposição do setor agrícola aos extremos climáticos está ameaçando reverter os ganhos alcançados no fim da desnutrição, disse o relatório.

Ele citou dados de agências da ONU mostrando que houve um aumento contínuo da fome no mundo após um declínio prolongado. Em 2017, estima-se que o número de pessoas subnutridas tenha aumentado para 821 milhões, em parte devido às secas severas associadas ao forte El Nino nos dois anos anteriores, afirmou.

Dos 17,7 milhões de pessoas deslocadas internamente rastreadas pela Organização Internacional para as Migrações, mais de 2 milhões de pessoas foram desalojadas devido a desastres ligados ao clima e eventos climáticos em setembro de 2018, disse o relatório.

Secas, enchentes e tempestades (incluindo furacões e ciclones) são os eventos que levaram ao deslocamento mais induzido por desastres em 2018.

O relatório constatou que 2018 foi o quarto ano mais quente registrado e que de 2015 a 2018 foram os quatro anos mais quentes registrados. A temperatura média global atingiu cerca de 1 grau Celcius acima dos níveis pré-industriais.

O ano de 2018 viu novos registros de conteúdo de calor oceânico e o maior nível médio global do mar registrado, diz o relatório.

"Os dados divulgados neste relatório são motivo de grande preocupação", escreveu o secretário-geral da ONU, António Guterres, em uma declaração para o relatório. "Estes dados confirmam a urgência da ação climática.

A presidente da Assembleia Geral da ONU, Maria Fernanda Espinosa Garces, reiterou Guterres. "Este amplo e significativo relatório da Organização Meteorológica Mundial destaca claramente a necessidade de uma ação urgente sobre a mudança climática e mostra o valor dos dados científicos confiáveis para informar os governos em seu processo de tomada de decisão", escreveu ela em um comunicado para o relatório.

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